segunda-feira, 28 de abril de 2014

Vasco Graça Moura (1942-2014)

Aqui deixamos a nossa homenagem a este grande vulto da cultura, da literatura e das artes. A língua portuguesa perdeu um dos seus grandes defensores e divulgadores.


Foto: Daniel Rocha (Fonte: publico.pt)



soneto do amor e da morte

quando eu morrer murmura esta canção
que escrevo para ti. quando eu morrer
fica junto de mim, não queiras ver
as aves pardas do anoitecer
a revoar na minha solidão.

quando eu morrer segura a minha mão,
põe os olhos nos meus se puder ser,
se inda neles a luz esmorecer,
e diz do nosso amor como se não

tivesse de acabar, sempre a doer,
sempre a doer de tanta perfeição
que ao deixar de bater-me o coração
fique por nós o teu inda a bater,
quando eu morrer segura a minha mão.

Vasco Graça Moura, in Antologia dos Sessenta Anos

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