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sexta-feira, 17 de maio de 2013

Um poema de Nuno Júdice

Escola

O que significa o rio,
a pedra, os lábios da terra
que murmuram, de manhã,
o acordar da respiração?

O que significa a medida
das margens, a cor que
desaparece das folhas no
lodo de um charco?

O dourado dos ramos na
estação seca, as gotas
de água na ponta dos
cabelos, os muros de hera?

A linha envolve os objectos
com a nitidez abstracta
dos dedos; traça o sentido
que a memória não guardou;

e um fio de versos e verbos
canta, no fundo do pátio,
no coro de arbustos que
o vento confunde com crianças.

A chave das coisas está
no equívoco da idade,
na sombria abóbada dos meses,
no rosto cego das nuvens.

Nuno Júdice, in "Meditação sobre Ruínas"

Nuno Júdice vence Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana



O poeta português Nuno Júdice recebeu esta quinta-feira o Prémio Rainha Sofia de Poesia Ibero-Americana, atribuído pelo Património Nacional espanhol e pela Universidade de Salamanca.
O prémio reconhece o conjunto da obra poética de um autor vivo que, pelo seu valor literário, constitua uma contribuição significativa e relevante para o património cultural partilhado pela comunidade ibero-americana,
Nuno Júdice nasceu no Algarve, em 1949, formou-se em Filologia Românica pela Universidade Clássica de Lisboa e é professor associado da Universidade Nova de Lisboa. É autor de 30 livros de poesia, entre os quais A Matéria do Poema e Guia dos Conceitos Básicos. O autor, que começou a publicar poesia em 1979, tem também publicadas obras de ensaio, teatro e ficção. A sua obra está traduzida para italiano, francês e inglês, além do castelhano.
Esta é a segunda vez que um poeta português recebe este importante prémio, uma vez que Sophia de Mello Breyner foi distinguida com o Prémio Rainha Sofia em 2003.